sábado, 29 de abril de 2017

Breves reflexões à volta de uma panorâmica com 150 anos

A foto que se vê abaixo já à coloquei aqui há uns anos e entretanto apareceu já também em outras páginas devotadas à história da cidade: encontra-se disponível no AHMP. Contudo em 2012 coloquei observações minhas que mais ou menos de uma forma geral procuravam descrever o que nela se vê. Ora, no mesmo vol. de O Tripeiro onde recolhi informação para a postagem anterior, também sobre esta foto surgem comentários produzidos por leitores da época - 1949 - que ainda chegaram a conhecer o Porto daquele tempo.
São algumas dessas observações que aqui sintetizo:

(clicar para ver as letras referidas no texto)

1- «A torre e edifício conventual é de S. Bento de Ave-Maria, onde está hoje a nossa estação central. Parece que ainda estou a ver, naquele pátio ao lado direito[A], os retrozeiros da Rua do Loureiro com as suas maquinetas a fazer torceduras e os petizes, como eu, a fazerem partidinhas inocentes...»
(João Moreira da Silva)

2- "Temos, para nascente e no primeiro plano, os prédios dos Loios, o convento de S. Bento de Ave-Maria, divisando-se aquelas janelas com seus parapeitos de grades, no andar superior ... ; a torre de tal convento[B]; a majestosa construção da porta da igreja e que se eleva logo próximo da torre[C], virada a sul; a fachada poente que em ângulo fechava o pátio de honra da igreja e que fazia quina para a rua do Loureiro; a cerca convento, que nuns três (?) dias do ano era facultada ao público e nele havia uma espécie de arraial em que entravam assadeiras de castanhas...»
(Wendel dos Reis)

3 - «Para quem não é do tempo em que fotografado foi tal local, não compreenderá aquela mancha escura [D] ... : eram os quintais das ruas de Santa Catarina e de Santo António, e onde, para poente, e portanto nas trazeiras do Ateneu Comercial, aí por 1880 e tal se construiu a fábrica de electricidade, cujo cano de tijolo para a tiragem do fumo, bastante alto, tinha, no rebordo do anel de saída, uma roldana na qual uma lâmpada eléctrica, suspensa, dava luz de noite, e por um fio era guindada quando tinha de ser substituída.
Tudo isto então, constituia um acontecimento!
...
A casa saliente que se vê oblíqua facejando as ruas de Santo Antonio e da Madeira tinha um estabelecimento de mercearia iluminado a velas de sebo sobre o balcão...» [E]
(Wendel dos Reis)

Faço aqui apenas a observação que a tal mancha escura referida é também parte da Viela da Neta, que veio posteriormente a dar lugar à Rua de Sá da Bandeira. Aí se vê o terreno compreendido sensivelmente entre o teatro Sá da Bandeira e a esquina com a Rua de Passos Manuel (a casa onde viveram os irmãos Passos ficava precisamente na Viela da Neta).
O leitor interessado em mais pormenores poderá consultar a postagem de 2012, seguindo a ligação presente no início deste texto.

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