terça-feira, 22 de novembro de 2016

O vapor Veloz

Já vira algumas fotos deste pequeno vaporzinho que durante décadas fez parte da paisagem do Douro, contudo ainda não houvera conhecimento de como o mesmo chegara ao Porto e a quem pertencera. Contudo, vasculhando jornais velhos vão-se descobrindo notícias novas... Eis aqui um extrato de um relatório de 1873 da Companhia de Reboques Maritimos e Fluviaes.

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" A commissão eleita por vós em reunião de assembleia geral de 12 de março do corrente anno, para tractar da aquisição d'um rebocador para esta companhia, tem a honra de vos apresentar o resultado dos seus trabalhos.

A commisão desejando mandar construir um barco a vapor, de força e tamanho proprio para o serviço de reboques na barra do nosso porto, principiou por solicitar para Inglaterra informações circumstanciadas de custo e clausulas, que exigem os fabricantes, pela construcção do mesmo vapor, nas condições de servir para o fim a que era destinado: reconheceu, porém, pelos esclarecimentos obtidos, que em consequencia dos altos preços dos materiaes, e dos salarios, e da falta de operarios, o custo na actualidade, do rebocador novo, como se pretendia, ficava por somma tão elevada, que, alem de exceder bastante a quantia votada para elle, viria sobrecarregar a companhia, d'um modo que muito a affectaria nos seus interesses.

Em vista d'isto, a commissão, na impossibilidade de dar cumprimento ao seu honroso encargo, estava a ponto de desistir, e resignar em assembleia geral o mandato, que por esta lhe fora conferido, quando teve conhecimento de que estava para se vender o vapor Scotia, barco construido em Blockwall, no anno de 1864, com a força de 100 cavalos nominaes, proprio para rebocador, e pertencente á companhia Coledonian Steam Towing.

O vapor Veloz, ex-Scotia de 1864, aqui numa fotografia de Aurélio da Paz dos Reis do início do século XX.

A comissão solicitou, por intermedio dos snrs. Dickinson Aknoyd & C.ª de Londres, esclarecimentos das dimensões, qualidades, estado e custo d'este barco, e mandou, alem disso, examinal-o pessoalmente pelo capitão Kavanaugh: e em resultado de tudo, pôde saber, que o mencionado vapor convinha perfeitamente a esta companhia, por ser do tamanho e força propria para a nossa barra, e achar-se no melhor estado de conservação, precisando apenas de ser forrado de cobre, e d'algumas pequenas obras no machinismo e no casco.

Entrou, portanto, a commisão, em negociações para a compra, e tendo-se trocado, e assentado, por intermedio dos referidos snrs. Dickinson Aknoyd & C.ª, as bases do ajuste, foi realisada a compra do referido barco a vapor por libras 6:000 » 0 » 0, onforme a escriptura lavrada em Londres no dia 2 de julho proximo passado: achando-se já surto no rio Douro, com o nome de Veloz o mesmo vapor.

(...)

Cremos que a companhia ficou completamente bem servida com a acquisição do vapor Veloz, não só por que o seu custo foi o mais rasoavel possivel, como porque a sua construcção e machinismo são excellentes, e o tamanho e força perfeitamente adequados para a nossa barra: ficando assim a companhia convenientemente habilitada a satisfazer bem ao serviço dos reboques.

(...)

Porto, 14 de Novembro de 1873

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[extraído de O Jornal do Porto de 15 de novembro de 1873, que pode ser consultado aqui.]

2 comentários:

  1. A fotografia em causa é do Aurélio da Paz dos Reis.
    Aida Freitas Ferreira

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  2. Irei colocar a legenda e desde já lhe agradeço a informação.
    Nuno Cruz

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