domingo, 17 de julho de 2016

Nota de rodapé n.º 6 - da Porta de Carros

Foi no final do século XVIII que o pano de muralha entre a estação de São Bento e o largo dos Loios foi demolido, sendo a estreita viela existente onde hoje corre a fachada do Hotel Intercontinental incorporada na propriedade dos padres loios para nele construírem o edifício que agora lá se apresenta.

No cunhal desse edifício com a praça Almeida Garret e correndo Este-Oeste situava-se a famosa Porta de Carros, umas das mais concorridas pelo trânsito de pessoas e mercadorias para o norte e interior-norte do país; porta essa que desapareceu na mesma época que se refere acima.

Ficou no entanto imortalizado na figura que se apresenta abaixo (atribuída a Villa Nova). Como curiosidade, refira-se que nela ainda se vê à esquerda da porta a entrada da viela que corria ao longo da muralha e que veio a ser incorporada na propriedade do convento. E esse local é hoje ocupado pelo novo Café Astoria pertencente ao hotel.

No pormenor mostrado abaixo de uma fotografia de meados(?) do século XIX, ainda se pode verificar grosso modo a área que aquela antiga saída da cidade ocupara, provando ser muito estreita para os padrões atuais (e mesmo para os do século XIX...).


A porta foi de facto demolida ainda em setecentos, contudo encontramos esta notícia no O Periódico dos Pobres no Porto a 3 de Maio de 1845, que nos dá um dado curioso e derradeiro sobre ela:

Por ocasião de se abrir um servedouro para conduzir as vertentes da calçada da Teresa, e rua da Madeira, em direção ao Rio da Vila, que passa no lago das Freiras Bentas, foi preciso desmanchar os alicerces da antiga Porta de Carros, uma das que no segundo circuito da Cidade era das mais frequentadas.

Décadas mais tarde iria também ser demolido o pano de muralha que servia de muro ao convento de São Bento aquando da construção da estação de caminho de ferro...

Da muralha que outrora corria entre a calçada da Teresa e o largo dos Loios ficaram os silhares de boa esquadria reaproveitados na construção do edifício do hotel e na sapata da rua da Madeira; onde os passarinheiros costumavam dependurar as suas gaiolas ao tempo em que por ali se fazia a feira dos passarinhos.

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