terça-feira, 21 de junho de 2016

O Hospital do Santo Espírito em MIragaia

Mais uma interrupção na viagem ao Porto de 1847. Espero que os meus leitores não se sintam maçados mas de facto este post é pertinente para mim, nesta altura.

Junto à igreja de S. Pedro de Miragaia existia um antigo hospital chamado do Espirito Santo que costumava suavizar as desgraças dos mareantes neste arrabalde da cidade. Atualmente a sua capela está desativada, alojando o pequeno museu da igreja de S. Pedro (pelo que me apercebi uma vez que no site da antiga junta de freguesia onde recolhi informação esta parece contradizer-se neste aspeto).

Este pequeno templo, lê-se no mesmo site, foi reedificado em 1802 e as duas torres que lhe pertenciam demolidas por ameaçar ruína e serem desnecessárias (presumo que fossem as casas do hospital).

Também aí se diz que foi em 1450 que um abade de nome Afonso Martins assinou o título paroquial que trespassava aos mareantes de Miragaia a administração deste hospital, passando este a ser "directamente dirigido por quem o tinha criado".

Confesso que não sei se terá sido bem com esta intenção que o hospital foi criado. Nas minhas notas recolhidas no cartório do convento dominicano consta a medição e confrontação desta capela, retiradas do documento da sua fundação. Deste documento não registei nem data nem nomes das fundadoras. Sim, fundadoras! Porque foram três senhoras que o fundaram.

A Capela do Santo Espírito assinalada com retângulo laranja, numa fotografia bastante antiga (seguramente dos anos 50 do século XIX)
Infelizmente não recolhi informação sobre as confrontações, nem a data do documento de fundação. Mas em relação às primeiras, não deverão diferir substancialmente das da capela atual. Apenas recolhi informação relativa às dimensões do hospital e capela (o que abaixo se segue não é uma citação rigorosa):

--
Tinha a capela (a original) nove varas e quarta de longo e de través quatro varas e quarta. Entrando ante a capela de sob a casa do coro acerca de doze varas de comprido e de [ilegível] quatro e quarta. A casa para os pobres tinha de longo vinte varas e de través oito. Esta casa quer em baixo quer em cima estava povoada de câmaras e camas para os pobres. Tinha também um patim com um chafariz de água e três privadas, de treze varas de longo e de través 14 varas.
--

Mas o que raio anda a fazer a doação do hospital do Santo Espírito no cartório do convento de S. Domingos, perguntará o leitor? Apenas porque aquando da sua fundação, este hospital foi entregue a um frade do convento de nome Frei Vasques Anes para o administrar. E mais: nesse documento se lê que se destinava a agasalhar pobres, peregrinos, envergonhadas e caminhantes. Uma função muito mais lata do que simplesmente mareantes.

Certo é que os dominicanos, por qualquer razão (que não registei) cedo deixaram de administrar o dito hospital. Pela menção de um abade em 1450 (quando ainda não existiam mosteiros no Porto) poderá querer dizer que era regido por um clérigo da colegiada de Cedofeita(?) mas para isso necessito de confirmação.

Algum leitor me poderá elucidar/ajudar/corrigir?


Sem comentários:

Enviar um comentário