segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sobre a segunda capela de S. Crispim e S. Crispiniano

Quando numa das postagens anteriores referi a capela de S. Crispim, propositadamente adiei a colocação do pormenor da imagem retirada da fotografia desse post, para em mais detalhe a referir agora.

O desenho que abaixo se apresenta pertence à série de desenhos de Vila Nova produzidos em 1833. Nele se pode ver a fachada da capela, e ao lado um edifício pertencente à confraria, mas (creio) em todo ou em parte arrendado a inquilinos.

Capela e edifício setecentistas da confraria de S. Crispim e S. Crispiniano
Esta capela, foi não a primeira mas sim a segunda que a confraria teve, tendo resultado do reordenamento que o rasgar da rua de São João obrigou naquela área, que necessitou de ser alargado dado a estreiteza da passagem da rua da Ponte de S. Domingos para a rua das Congostas, Bainharia e claro a nova rua de S. João.

Até ao presente, apenas conhecia uma imagem que mostrava a frontaria desta capela, se bem que não a tendo como objetivo. Já aqui a coloquei num post anterior, mas de novo a repito abaixo.

1872
Esta imagem pretende mostrar o arco efémero construído à entrada da rua de S. João aquando da visita do imperador do Brasil, D. Pedro II. A frontaria da capela está à esquerda, não se conseguindo vislumbrar o edifício da anterior imagem, por força do ângulo em que a mesma foi tirada, com o fotógrafo a posicionar-se à entrada da desaparecida rua da Biquinha. Nada do que nela surge existe atualmente, com a exceção dos edifícios que vemos por dentro do arco. Ainda assim é reconhecível como sendo a rua de S. João pois o primeiro prédio que vemos (demolido já) apresentava a arquitetura tão clássica e regular daqueles tempos onde a liberdade para cada um fazer a seu bel-prazer obedecia sempre a um número restrito de plantas...

Chegamos finalmente à imagem em questão, que se extrai da foto panorâmica tirada há quase 150 anos da Vitória. Esta ainda que parcial é emocionante, porque única(?). Basta compará-la com a de Vila Nova para percebermos que se trata do mesmo edificado, contudo aqui podemos localiza-la melhor no local. O edifício na extremidade direita ainda existe e está lá, à entrada da travessa da Bainharia. Como podemos verificar, o que foi constrúido na outra margem da rua, demolido, mantinha a mesma arquitetura.

187?
Mais relevante isto se torna quando pensamos que a rua de São João estava pensada para ser prolongada em linha reta até à fachada da igreja da Misericórdia (o que acabou por não se concretizar). Talvez por isso vejamos um arranque de um tímpano no extremo esquerdo do edifício (círculo azul).

Ao lado do dito edifício está a famigerada capela de S. Crispim e S. Crispiniano. Estamos aqui obviamente muito limitados na visualização da sua fachada, ainda assim, fruto da altitude a que foi tirada a fotografia, podemos ver parte do telhado com o seu zimbório (círculo vermelho).

Esta capela viria a ser demolida em 1874 ou 1875, sendo de Março do primeiro desses anos a aceitação da composição com a câmara relativa a expropriação da capela, casas e hospital. A confraria aceitou a indemnização pecuniária de 17.740$000, ficando também com direito ao gradeamento do portal, à telha e ainda a janela e porta da fachada da capela. Depois de muitas atribulações, lá conseguiu a irmandade construir para si nova capela no lugar da Póvoa de Cima (agora praça Rainha D. Amélia), terminando-a apenas nos finais do século. Questionámos quantos dos elementos da antiga capela foram incorporados na nova?

2016

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