sábado, 9 de abril de 2016

"Arqueologia fotográfica" (1)

Foi com alguma emoção que me deparei com um conjunto de imagens que aparentemente nos mostram uma paisagem usada dezenas de vezes como ilustradora da cidade, sobretudo numa série de fotos do século XIX tiradas dos mesmos locais. E escrevi emoção porque - nesta foto em particular - vemos aspectos da fase pretérita do centro histórico do Porto a que normalmente estamos apenas habituados a aceder em plantas antigas que muito raramente nos mostram os edifícios tais como eram.

Ora a  foto dos anos 70 do século XIX que se apresenta abaixo, com a sua congénere tirada por mim em Fevereiro (dentro da aproximação possível...) permite-nos visualizar uma pequena parte do muito que para sempre desapareceu...

187?
2016

As diferenças ao nível do edificado entre uma e outra são óbvias? Não tanto assim. Contudo os rectângulos a cor que previamente coloquei na foto antiga focam aquelas que,  creio, são as maiores.

A cor vermelha assinala-se a capela de S. Crispim e S. Crispiniano e o edifício que a ela pertencia (habitado talvez por inquilinos). Estas construções são as mesmas que Villa Nova desenhou em 1833 e resultam da remodelação daquela área aquando da construção da rua de São João no século XVIII. Como pretendo desenvolver o assunto na próxima postagem não o desenvolvo mais por agora.

A cor verde vemos um pouco da rua da Biquinha! Uma pequena rua de origem medieval que desapareceu para dar lugar à de Mouzinho da Silveira. Numa postagem anterior já referi, através de plantas, como parte desta rua passou a ser o saguão de casas da rua Mouzinho da Silveira. Abaixo, mais ao pormenor se vê aquela área da foto (as casas em primeiro plano são do largo de São Domingos, a rua da Biquinha está atrás):

Rua da Biquinha
Com a cor azul pretendo chamar a atenção para a Sé Catedral (C) ainda com o aspeto anterior ás intervenções dos anos 20 e 30 do século XX, i. é, conforme os cónegos que a administraram em tempos de sede vacante a deixaram, com as profundas modificações operadas na sua estrutura. Para além desse aspeto (aliás bem fácil de verificar em outras fotografias e até a maior pormenor dado a Sé estar bem documentada) nota-se a densa urbanização à sua volta, pois ainda estavam longe as demolições dos anos 40 e 50 do século XX. Com especial ênfase na fachada lateral do palacete da rua Chã (B) ao início da rua Escura (sobre isto consultar a antepenúltima postagem) e na Porta do Sol (A), mandada construir na época da reforma urbanística almadina e demolida poucos anos após esta foto ter sido tirada (verificar o recorte abaixo para maior pormenor).

Penaventosa
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