domingo, 26 de julho de 2015

Aditamento à postagem anterior

Numa muito recente visita ao Arquivo Histórico e Municipal da Câmara do Porto deparei com uma planta de Fevereiro(?) de 1881 que serve como remate à postagem anterior. 

Nela se mostra que quando se iniciou a construção dos edifícios da Rua Mouzinho da Silveira, no tocante aos da sua face Poente mais próximo ao Largo de São Domingos, a última casa a ser construída foi a da esquina pois que ainda não figura na planta (imagem no meio) e assim por esse terreno se poderia entrar diretamente para as traseiras das novas casas. Não tendo ainda descoberto um documento que o refira, pelos alinhamentos das casas e plantas não é difícil verificar que essas traseiras deverão ser o que resta da antiga Rua da Biquinha que existia nesse local (já urbanizado desde os tempos medievais) e que foi obliterada da memória da cidade quando a nova rua foi rasgada naquela área.

Com a ajuda do Googlemaps e Bingmaps, verifica-se que essas traseiras ainda existem, algumas preenchidas já com edificações mas outras continuam sendo saguões, dos edifícios da nova rua!


A ser verdade, não é caso único. Já aqui referi o caso das casas da face nascente da antiga Rua de Elias Garcia (mais conhecida pelo penúltimo nome que teve, Rua de D. Pedro), que ainda lá estão mas escondidas pelas suas novas e mais modernas faces do passeio oriental da Avenida dos Aliados. E bem assim, conhece o autor destas linhas um saguão na mesma situação dos que aqui vimos, por trás do edifício nº 76 da Rua Nova da Alfândega, que poderá corresponder a um troço da antiga Viela do Calca-Frades. (Mas isso será para ver mais à frente...)

Voltando à Rua do Mouzinho, se em algumas dessas casas e seus pátios existir um espaço público (café, restaurante...) teremos o caso de se estar na Rua da Biquinha, mesmo não estando....
E eis que assim nos foram deixados estes pequenos negativos das ruas que as várias administrações camarárias foram suprimindo, sempre a fim do progresso social e económico da cidade; no fundo adaptando-a à realidade da época a que reporta a obra.

Esta rua (com as da Nova Alfândega e Sá da Bandeira), formavam uma via rápida de escoamento de produtos de e para toda a região. Infelizmente são hoje praticamente apenas meras ruas turísticas.

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