sábado, 17 de janeiro de 2015

A Fábrica do Tabaco

Num jornal pesquisado há uns largos meses, e do qual infelizmente não registei o nome, encontro o anúncio da arrematação da Fábrica do Tabaco, que deu nome à Rua da Fábrica do Tabaco (que já naquela altura assim se chamava). Neste terreno estão hoje edificados alguns bonitos edifícios e bem assim o famoso Hotel de Paris.

Segue a transcrição:

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Para o dia 19 de Março d'este anno
de 1860
ARREMATAÇÃO VOLUNTARIA
de
TODO O EDIFICIO
da
ANTIGA FABRICA DO TABACO
Na caza das arrematações, rua do Almada, n.º 66, escrivão Lima

O todo d'esta grande propriedade compreende 7 moradas de cazas com um grande quintal e agua, com frente para a rua de Santa Thereza, desde o n.º 27 até ao 31, continuando para a rua da Fabrica do Tabaco desde o n.º 1 até 5, - faz volta para a Travessa da Fabrica do Tabaco desde n.º 1 até o fim do muro do quintal; tendo por medição no lado nascente, de norte a sul, 225 palmos - pelo poente, de norte a sul, 277 palmos - pelo norte, de nascente a poente, 177 1/2 palmos - e pelo sul, de nascente a poente, 188 palmos.

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Acreditando que esta arrematação tenha levado à demolição do edifícado e posterior edificação de muito do que ocupa essa área atualmente, mas não conhecendo de todo a história desta fábrica (apenas que a mesma fora estabelecida no século XVIII), convido a qualquer um dos leitores que por aqui passe a deixar mais pormenores sobre ela.

Deixo contudo um extracto do que Agostinho Rebelo da Costa refere sobre esta fábrica no seu livro de 1788:

"Dirige-se por dous Administradores: o primeiro he o Caixa, Inspector do Escriptorio, em que trabalhaõ quatro Escripturarios, com hum Guarda livros, e tem cinco mil cruzados de renda: o segundo tem hum conto de reis, e he o que assiste na Fabrica. No trabalho desta occupaõ-se mais de cem pessoas; umas nos fornos, e esfolha; outras nos piloens e engenhos; e o resto na empapelaçaõ, repartiçaõ, arrecadaçaõ, &c. (...) Todos os dias, excepto nos feriados, coze-se a folha do tabaco em quatro fornos, que algumas vezes naõ bastaõ. Fazem-se tabacos das seguintes qualidades: Cidade, Somonte verde, Somonte amarelo, Esturro de côr, Esturro preto.

(...) A causa de ser geralmente mais reputado o tabaco do Porto, que o de Lisboa, procede, de que no Porto cozem-se fornadas mais pequenas, e a lenha para os fornos naõ he de pinho, mas de mato, cuja flor, e rama communica ao tabaco hum cheiro suavissimo.

De Salarios miudos paga esta fabrica em cada anno doze mil cruzados, e passaõ de trinta mil, os que saõ Salarios de portas a dentro, naõ fallando nas despezas do papel, grude, mato, e outras miudezas, que importaõ grande cabedal. (...)"

2 comentários:

  1. "Num jornal pesquisado há uns largos meses...", por favor rectifique, pois o blog é de qualidade e merece. Obrigado.
    PS. Continuo a usar o acordo ortográfico anterior

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    1. De facto não foi ainda possível identificar o jornal. Contudo um outro elemento precioso está presente, i. é, a data da arrematação.

      Assim que me for possível, consultando as minhas notas, aqui colocarei o nome do periódico onde surge este anúncio.~

      Atentamente,
      Nuno Cruz

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