sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Jornal do Povo

Continuo aqui a publicar algumas descrições da coluna Jornais da Minha Terra, publicados por Alberto Bessa na 2ª, 3ª e 4ª séries da revista O Tripeiro. Desta vez é um outro jornal que, se bem que tendo curta vida, marcou ainda assim a época em que existiu; tendo nascido no final do romantismo e terminando já entrados os anos da Regeneração.

"Apareceu, no Porto, a 29 de Dezembro de 1848, um jornal intitulado e com o sub-titulo, devéras original, de: "Redigido gratuitamente por uma sociedade de cartistas". Sahia ás terças e sextas-feiras, dando aos sabados uma edição das provincias, bem como suplementos sempre que havia noticias interessantes a transmitir aos leitores. Publicou-se até 29 de Julho de 1854, sendo seguido pelo Lidador (...).

Era um periodico de regulares dimensões, em quatro paginas, a três columnas largas de composição, em corpo 10. O frontespicio era illustrado com uma gravura representando o Porto a apontar ao Douro o sól que vinha raiando por detrás das serranias, vendo-se na parte luminosa do fundo as palavras "Rainha e Carta". Os raios solares atravessavam os diversos signos do Zodiaco e iam perder-se nas nuvens que formavam como que a moldura da allegoria. No sólo via-se estendido o mapa de Portugal, e por traz da figura do porto havia uma oliveira. esta allegoria, embora não fosse de uma correção por ahi além, era menos mal trabalhada.

Não designava local de redacção, designando porém que se vendiam exemplares "na loja do Moraes, ás Hortas" e que a typographia era a da Revista, na rua de Santa Thereza, 3.

N'este jornal colaborou Camilo Castello Branco, que lá publicou alguns folhetins com o pseudonymo de Anastacio das Lombrigas. Um dos seus redactores foi José Athanasio Mendes, professor de latim e de francez, que Camillo affirmou ter sido "a personificação do sarcasmo" e "usar uns oculos que ao fitarem a gente queimavam como o espelho de Archimedes" (Procissão dos Mortos).

Foi n'este periodico que Camillo iniciou a sua contundente critica ao poema As commendas, de Antonio Ayres de Gouveia, critica que interrompeu na altura do terceiro canto d'esse poema, hoje rarissimo."

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