sexta-feira, 16 de maio de 2014

A Muralha que ainda vemos

O título para esta postagem é mais ou menos metafórico... pois que a muralha que vemos a que pretendo aludir, não é propriamente a que hoje lá se encontra. Essa sim, ainda vemos com os nossos olhos que a terra há-de comer; se bem que algumas pedritas foram lá repostas depois da derrocada ocorrida no meado do século passado.

Este vemos, refere-se a muralha que já não existe mas que teve a sorte de perdudar nos registos fotograficos pois que só após a aparição desta tecnologia lhe foi dado sumiço pelo constante modificar, evoluir (e "desevoluir"...) que uma cidade viva e pujante tem!

Não me refiro aquele troço de muralha junto ao Convento de S. Bento, com o seu cubelo a denunciar nitidiamente construção mediévica. Esse também já se foi, mas graças à presença de um convento e ao seu regime de clausura, talvez para não devassar esse mesmo regime, nunca foi permitido derruba-lo ou transforma-lo em casas de habitação e por isso chegou até à era da fotografia na sua forma original e quem sabe, tendo no troço de muralha que o acompanhava, a primitiva porta de carros ainda entaipada.... mas isto são já suposições a mais!

O troço a que me refiro seria por ventura um dos de mais intransponíveis por parte de qualquer força atacante, quando aquela importante estrutura militar foi construida. Dado preencher com silhares possantes de pedra o topo dos penedos, por forma a proporcionar mais altura a estes e fechar assim o circuito da muralha. No foto ainda se vê parte da penadia, que hoje também já não existe, como se comprova na outra foto, actual, do inestimável GoogleMaps (à falta de uma foto do autor que a substituirá em breve).
Este caminho era a fase final, para quem desce, das Escadas do Codeçal a que me referi numa outra postagem: o antigo caminho de rolda da muralha que subia até se unir à torre ainda existente, que já foi mirante das monjas clarissas. Nota-se perfeitamente a silhueta da muralha e seus pequenos torreões, embutidos nas casas de habitação com a porta para as Escadas do Codeçal. Até bem próximo da era moderna, a cidade do Porto era dali para dentro.

Hoje, o que resta do Codeçal original termina em frente ao antigo Recolhimento do Ferro. Para baixo são consequência das obras de preocupações rodoviárias que ali tiveram lugar nos anos quarenta do século XX, que obrigou que estas ficassem viradas para fora da cidade medieval (aliás, já do lado de fora, por uns metros, da cidade medieval). Além das habitações e da muralha propriamente dita, também a penedia foi completamente britada, por forma a se conseguir a uniformidade do terreno a uma cota mais baixa do que a original, iniciando-se ai acesso ao túnel para quem vem da Ponte Luíz I ou da Avenida Gustavo Eiffel.

O término da escadaria situava-se sensivelmente no local desta foto do GoogleMaps, junto á casa que ali se pode ver. A vermelho assinalei a escadaria moderna que substituíu a centenar.

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