quarta-feira, 5 de março de 2014

Uma foto que nunca mais se repetirá...

Ainda com cheirinho a idade média, a freguesia da Sé era todo o que nela ainda se encontra e um pouco mais... algumas ruas que se situavam em frente e nas imediações da Catedral foram demolidas nos anos 30, com o intuito de se formar ali um largo - o Terreiro da Sé - com vista à monumentalização da igreja, tornando-a mais visível, mais airosa, mais altaneira.


E assim foi. Em 1940, por ocasião de umas comemorações que ali tiveram lugar, foi inaugurado oficialmente este espaço que se nos apresenta hoje aos olhos, livre já das edificações, das casas antigas, algumas centenares que faziam frente à igreja e à casa do Cabido.

E já agora a triste realidade, ou se quisermos melhor, historicidade: é que se "devolveu" uma imponência a um edificio que nunca a teve! Nem passava pela cabeça das gentes medievais tal ideia.
A cidade medieval era um amontado quase totalmente desordenado de casas desalinhadas, hortas, pomares, fraguedos e terrenos baldios. Nunca este edifício esteve livre da outras edificações que se lhe avisinhavam, mais próximas ou mais afastadas; inclusive algumas a ele se adossaram, como numa simbose (a primitiva casa da camara vem-me à memória, se bem me lembro do que li).

Mas a filosofia de restauro da época vivia ligada à monumentalização dos edifícios pátrios das épocas gótica e românica, a que não foi alheio o culto da nação à maneira do Estado Novo. E por isso assim se impunha e assim se fez. Para sempre se perderam essas ruas.

Para sempre!

2 comentários:

  1. Bom dia,

    visito assiduamente esta Porta mas hoje parei para lhe expressar os meus parabéns pelos textos sempre bem fundamentados e bem escritos. Como devota da minha cidade, este blogue torna-se uma referência para mim.

    Obrigada.

    Sempre a considerar o/a autor/a

    Isabel

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  2. Cara Isabel,

    Obrigado pelas suas elogiosas palavras. Espero conseguir corresponder sempre e colocar postagens interessantes.

    Este agradecimento estende-se também ao Geopalavras a quem, mea culpa, não retribuí como a si lhe faço hoje!

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