domingo, 16 de fevereiro de 2014

Periodico dos Pobres no Porto

"Do jornalismo portuense de outros tempos foi esta fôlha a que mais importância logrou conquistar e a que mais influência exerceu nas lutas políticas travadas no Pôrto. Foi o órgão do partido cartista, que no Pôrto teve um dos seus mais poderosos baluartes. O fundador e proprietário do jornal foi Joaquim Torcato Álvares Ribeiro, lente da Academia Politécnica, nas cadeiras de matemática e astronomia. O número 1 apareceu a 15 de Janeiro de 1834, e de tal modo o jornal ganhou raízes na população que só terminou em Março de 1858, mantendo-se, durante todo êsse largo periodo de existência, sempre com galhardia e aparente desafôgo, vendo nascer e morrer muitas outras publicações do seu género, não poucas criadas para o combater. Apresentou diversos formatos, sendo o mais vulgar de 26x40 centímetros, impresso no papel almaço (ou antes mata-borrão) em que tôdas as impressões se faziam nessa época de manifesto atraso industrial. No seu género de político e noticioso, foi também um dos jornais mais bem feitos do seu tempo, deixando as melhores tradições no jornalismo portuense.

Simbolo d' O Periodico dos Pobres no Porto
Foi seu redactor e responsável, entre outros vários, o bacharel João Guilherme de Almeida Pinto. O folhetinista, em sentido humorístico, de crítica desapiedade aos políticos da época, foi, desde 1838, José de Sousa Bandeira, que, com o pseudónimo e Braz Tizana ali colaborou durante muitos anos, até 1851, ano em que se desligou dos compromissos que tinha neste jornal e foi fundar periódico seu, dando-lhe como título o pseudónimo de que usava (...).

A redacção e tipografia do Periodico dos Pobres eram na própria casa de Álvares Ribeiro, primitivamente na rua dos Lavadouros, 16, e mais tarde na rua Chã, 67, oficina que foi uma das mais produtoras do Pôrto, em jornais políticos, especialmente.

Entre os diversos processos que foram movidos ao Periodico dos Pobres, em harmonia com as leis de imprensa do tempo, avultou, pelo ruído que fêz, aquele a que o chamou o marechal Saldanha, quando se julgou injuriado por uma notícia ali publicada sôbre assunto de carácter particular e que, com efeito, parece não ter tido fundamento sério. Saldanha era muito querido no Pôrto, o periódico não o era menos e o processo apaixonou vivamente a opinião.

(...)

Alberto Bessa in o Tripeiro, 4º Série, Abril de 1931

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