segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Commercio do Porto

Mantendo hoje o decanáto da imprensa do Porto [1926], é, incontestavelmente, em formato, em methodo e norma de vida, e em importancia, o primeiro diario da cidade invicta, que n'elle tem o mais o mais denodado e audaz palatino dos seus interesses, seja qual for a acepção em que a palavra interesse possa ser tomada dentro dos limites do confessavel. Apenas com o titulo O Commercio, apareceu o seu primeiro numero em 4 de Junho de 1854, n'um formato pequeno, de 46X33 centimetros, como que a mêdo de tentar a vida, que no futuro havia de desabrochar em continuos triumphos e em completo successo. Foram seus fundadores Manuel de Sousa Carqueja, dr. Henrique Carlos de Miranda e Xavier Pacheco, e destinava-se a sahir á luz apenas trêz vezes por semana - ás segundas, quartas e sextas-feiras, com informações que interessassem á Praça do Porto, então, como hoje, o centro commercial das provincias do norte do paiz. Atravessou varias crises, que puzeram, por vezes, em perigo a sua existencia, mas teve sempre a amparal-o a energica actividade e a confiada previsão do seu fundador Manuel de Sousa Carqueja, que nunca abandonou aquele fillho, certo de que elle havia de vir a honrar-lhe a memoria. Manuel Carqueja e Henrique de Miranda foram os unicos de todos os accionistas da empreza primitiva, que não se deixaram levar do desanimo que a todos os restantes avassalára e os fizera retirar.

O seu primitivo titulo era apenas O Commercio, como já dissemos, mas logo a 2 de Janeiro de 1856 passou a adoptar o titulo que ainda hoje mantém [1926], augmentando de formato, como que para demonstrar aos que o supunham moribundo, que se sentia com forças e com vontade de avançar pela vida fóra. E tanto progrediu e tanto avançou, que ahi o vemos hoje, com os seus setenta e dois annos de existencia, com a sizudes e a severidade que um tal numero de annos justifica, mas modernisado, com a vivacidade e a compostura de um rapaz bem educado, filho de boa familia, que o era, com effeito, a que lhe deu o ser. O Commercio do Porto, mantendo a dignidade da profissão jornalistica, pela escrupulosa correção dos seus processos de trabalho, é hoje, sob a intelligentissima direcção do snr. dr. Bento Carqueja, uma verdadeira potencia, não honrando apenas a cidade do Porto, mas simultaneamente toda a imprensa do Portugal. Têem sido seus collaboradores, entre muitos outros, Camilo Castello Branco, visconde de Benalcanfor, José Joaquim Rodrigues de Freitas, Arnaldo Gama, I. de Vilhena Barbosa, José da Silva Mendes Leal, Manuel Pinheiro Chagas, Antonio de Serpa, José Luciano de Castro, Rangel de Lima, etc.

(...)

Alberto Bessa, in O Tripeiro, 3ª série, 1º ano.

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