quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

da Porta do Sol - 1

O artigo aqui transcrito, fui busca-lo ao segundo ano da primeira série da revista O Tripeiro (1909-1910). Num outro post a colocar posteriormente transcreverei um segundo artigo, ainda que apenas parcialmente, da mesma revista e versando o mesmo tema.
Vamos então ao dito artigo que o próprio Tripeiro repescou da revista Porto Illustrado de 1863, portanto numa altura em que a Porta do Sol ainda existia:

"A ANTIGA PORTA DO SOL

Da muralha que circundou o Porto, construida durante os reinados de D. Affonso IV, D. Pedro e D. Fernando, poucos vestigios existem hoje, dignos de especial menção. O unico, talvez, é a Porta do Sol. Porém, a Porta do Sol, elegante construcção que ella é, e que bem se mostra despida do caracter d'essa antiguidade, a que pertence a muralha; tal como ella existe e como se vê na nossa gravura, não é comtemporanea da grande obra que occupou, diz-se, os reinados dos tres soberanos.

Além das portas  que costumavam ter todas as muralhas das terras afortalezadas, que eram as portas principaes para o serviço publico, havia também outras portas mais pequenas, de somenos construcção e pequeno concurso, a que baptisaram com o modesto nome de postigos, como o dos Banhos e do Pereira, que ainda se vêem de pé, estes com saída para o rio. Pela parte da terra havia outros, e um d'estes era o do Sol.

Porém, sobre o velho postigo do Sol, por se achar extremamente arruinado, se levantou em 1768 o arco actual, que custou a quantia de 960$306 réis, sendo feito por ordem do general e governador das justiças que então era João d'Almeida [sic] e Mello, pae do grande Francisco d'Almada. Os mestres pedreiros Caetano Pereira e José Francisco foram os que arremataram e levaram a cabo esta obra, que ficou concluida no mez d'agosto do dito anno de 1768; mas só a 28 de fevereiro do anno seguinte é que foram embolsados da sua importancia.



Eis aqui a conta, conforme se vê no livro competente, que se acha no cartorio da camara d'esta cidade:

Liquidação do que importa a obra da Porta do Sol feita por ordem do ill.mº e ex.mº snr. General e Governador das Justiças.

.4982 palmos de esquadria lavrada de escada de socco, que corre em volta por baixo de toda a obra, superficie das pilastras, e na superficie da imposta, architrave e frizo, em rustico, e superficie do arco, tudo feito e acabado, posto em seu logar conforme arrematação e plano - a preço de 79 réis
... 393$578

.2475 palmos de moldura nas bazes das pilastras, capiteis e frizo, comprehendendo tudo em volta e seus membros particulares, como tambem o coronamento do timpano, tanto pela parte interior como exterior, e acabado conforme a arrematação, o palmo pelo preço de 130 rés
... 321$750

.70 braças e mais 22 palmos no interior da porta no cheio de alvenaria argamaçada, a braça de 200 palmos, conforme arrematação, pelo preço cada uma de 2$280
... 159$765

.1140 palmos de lagedo no pavimento da empena, o palmo a preço de 18 réis
... 20$220

.3 braças e mais 175 palmos de alvenaria na parte que uniu o muro á porta da parte do Convento, a preço cada braça de 1$400 réis
... 4$997

.42 braças e mais 250 palmos no muro que fizeram no sitio onde foi a torre, cada braça a preço de 1$400 réis
... 59$716,6/9

-----------------------
960$306/9

Somma a conta toda a quantia de novecentos e sessenta mil trezentos e seis réis, mais seis nonos de real, que tanto se deve aos mestres.
Porto, 29 de agosto de 1768

==================

Isto dizia o Porto Illustrado, de junho de 1863; mas o camartello do progresso, de então até hoje, encarregou-se de supprimir estas reliquias do velho Porto. Qual mal fazia á cidade a conservação do arco do postigo do Sol?"

Fonte da Imagem: O Tripeiro, 1ª Série

1 comentário:

  1. È do interesse de pessoas como o senhor, que eu posso aprender mais um pouco sobre a Zona Histórica do Porto.
    Um bem-haja
    José Venade

    ResponderEliminar