quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A Próva effectuada á ponte pensil - parte 2

Continuação da transcrição do artigo editorial do jornal O Periodico dos Pobres no Porto de 30 de Março de 1853, desta vez ele próprio transcrevendo um artigo de outro periódico.
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(Do Jornal do Povo)

"PONTE PENSIL



Transcrevemos em seguida o curioso documento, pelo qual póde o público avaliar o bom estado e segurança da ponte pensil, em resultado da prova e experiencia a que esteve sujeita desde o dia 18 até ao dia 19.

So nos resta acresccentar que o enchimento das 270 pipas com a agua do rio, a carga da ponte, e as differentes vistorias, que se lhe passárão, - tudo foi effectuado com a maior publicidade possivel.

Nao era prudente, nem mesmo possivel, franquear o tránsito da ponte a todo o povo, e até porque muitas pessoas receiarião entrar n'ella sabendo que tinha em si por 24 horas a enorme carga de umas 15 mil arrobas, que a tanto montaria o peso das 270 pipas, e da agua embebida na espessa massa da madeira que constitue o pavimento da ponte, em consequencia da chuva que cahiu na vespera, e no mesmo dia do principio da carga.

A ponte esteve comtudo franca a certo numero de pessoas, que por turnos a puderão ir examinar, vendo se as pipas estavão cheias, e quantas erão. Os poços de atracação estiverão também patentes a quem os quiz ir ver, e muitas pessoas la cocorrerão a examina-los.

Durante a experiencia, a ponte nenhuma differença offereceu senão a necessária tenção proviniente da elasticidade dos arames, e produzida pela alternativa do maior ou menor frio da noite e do dia; pois que na força do calor do dia dilatou-se a curva cousa de um palmo; na observação da manhã notou-se que com a contração do frio da noite, tinha subido o mesmo palmo. No ultimo dia da experiencia, com o calor do meio dia tornou a descer o mesmo, e assim como se ia descarregando, assim a ponte ia subindo, até que chegou ao seu antigo estado!

Concluida que foi a prova e vistorias, o Sr. Coelho d'Almeida, agente da empreza, desejando mostrar aos timidos e incredulos, não so que as pipas estavão cheias, e bem cheias de agoa, mas tambem a confiança que tinha na segurança da ponte, subiu a uma carruagem que de ante-mão para ali mandára, e que proxima estava sem se saber a quem pertencia. O Sr. Coelho d'Almeida entrado pois na carruagem, teve o arrojo de a a mandar rodar a trote pela ponte adiante. O rodar da carruagem e o movimento balouçado assim da ponte como das pipas, fez com que a agoa destas repuchasse pelos batoques a uma altura de 2 a 3 palmos, o que além da linda vista que offerecia, veiu demonstrar o pleno enchimento das pipas, e a inteira confiança do Sr. Coelho, que ao descer da carruagem, foi cumprimentado e congratulado por grande numero de pessoas.

A'quelle acto assistiu o Exm.º Sr, Barão de Valado Governador Civil interino, adminsitrador do concelho do 1.º bairro da cidade, e o de Villa Nova de Gaya, Exm.º Sr. Intendente da marinha, presidente da camara da cidade e de Villa Nova, commandante de caçadores 9, presidente e secretario da Real Sociedade Humanitaria, os dous architectos das camaras municipais respectivas, e muitos cavalheiros das differentes classes da sociedade que forão convidados.

Além desses, muito outro povo concorreu a disfructar a bella vista que offerecia a ponte toda symetricamente embandeirada, cahindo no todo della a agoa das pipas sobre o Douro, ao mesmo passo que se lançava muito fogo no ar, e tocava a musica de caçadores n.º 9.

O Sr. Engenheiro Bigot, a empreza, e o público, - todos se devem ufanar com o resultado daquella experiencia: o primeiro pela sua pericia e conhecimentos architectonicos demonstrados na segurança e excellente construcção da ponte; a segunda por possuir esse util estabelecimento; e o publico em fim por gosar de uma prompta, segura, e não interrompida passagem no rio Douro, como é a que lhe offerece a ponte pensil."

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