domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cinco relíquas das Congostas

A rua das Congostas era uma artéria íngreme que partindo da Rua do Infante subia o declive que ainda hoje se apresenta a quem inicia a subida da Rua Mouzinho da Silveira; indo desembocar junto à encruzilhada da Rua de S. João, Biquinha (hoje também ela desaparecida) e Largo ou Calçada de S. Crispim (nome dado à rampa que sobe para S. Domingos).

Esta rua era possuidora ainda de muito do seu carácter medieval na tortuosidade e estreiteza que a caracterizava - sendo provavelmente a dos Mercadores um bom exemplo de comparação.
No entanto, aquando da grande revolução urbana promovida no casco histórico da cidade à época de Pinto Bessa, ela foi inteiramente sacrificada, por forma à cidade ficar melhor equipada de acessibilidades à Nova Alfândega de Miragaia, recém inaugurada.





Mas nem toda a rua desapareceu... ou melhor dito, nem todos os edifícios que a compunham desapareceram.
Com efeito, o projecto levado a cabo para a Rua das Congostas expropriou quase todos os proprietários dos prédios nela sitos, uma vez que o seu alinhamento iria ser completamente diferente do existente, em face do novo arruamento que se queria mais amplo e desafogado.
Mas alguns sobreviveram... Tendo-se eventualmente mostrado desnecessário demolir cinco prédios do lado nascente.
Esses cinco edifícios constituem como que uma relíquia do arruamento que por séculos ali existiu e que desde cerca de 1875 desapareceu para sempre.
Na foto acima, colhida ontem no local, pode-se ver em destaque os edifícios em questão.
(Fonte: Porto Vivo, Projecto Base de Documento Estratégico, para o quarteirão da Feitoria Inglesa)

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Observação pessoal: O projecto original previa a manutenção do nome Congostas, o que, se virmos bem faria todo sentido, uma vez que a parte sul da Rua Mouzinho da Silveira parece, ao turista ou transeunte que nada saiba de toponímia, um arruamento independente do grande troço que vai de S. João a Almeida Garret.
Não deixaria de ser bem mais pitoresco e quem sabe mais "verdadeiro" ter mantido aquela nome, no entanto a edilidade da altura assim não o entendeu.

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