domingo, 5 de agosto de 2012

Igreja gótica de S. Domingos do Porto (1)

A mais que esquecida igreja de S. Domingos, demolida sem glória no já longínquo ano de 1865 (depois de 30 anos em pardieiro), não tem quase qualquer iconografia "de verdade". Apenas as imagens de Villa Nova (e a Igreja que lá se vê era originalmente a dos terceiros dominicanos) e duas ou três fotografias mais antigas de panorâmicas do Porto onde só olhando com olhos de ver se descobre que, onde deveria estar o Mercado Ferreira Borges, se encontra as paredes nuas de um casarão em ruína pertencentes aos dormitórios.

É por isso que, as descobertas do Dr. Pedro Vitorino (por acaso num alfarrabista, tal como eu descobri este opúsculo), são de enorme importância para um melhor conhecimento deste convento, e para ajudar à visualização de como o mesmo seria na fase final da sua existência. Reduzo a transcrição à comparação que o autor faz dos seus achados com a descrição do convento escrita no século XVIII e publicada pelo Dr. Andrea Cunha e Freitas.

"Da capela-mor encontram-se, justamente, os principais elementos: a planta e o alçado da reforma setecentista. Subscreve-os um monge-arquitecto pertencente à Ordem Carmelitana: Frei Pedro da Conceição. É nome desconhecido na nossa história da arte, e certamente autor de outros trabalhos da época sem paternidade averiguada. O Desenho da planta (ver abaixo) tem esta indicação exacta, de obstrusa ortografia, lançada pelo punho do autor:Planta Do emligimtº Da Capella mor e trebuna da igr.ª De S. Dominguos Da Cidade Do Porto e mostra tambem as 2 capellas colaterais e o mais que nella se ve feita oje 6 Dez.bro De 1733 Annos. Fr. Pedro Da Conceipção Carm.ta. O desenho colorido a castanho, azul, vermelho e amarelo, está feito em vulgar folha de papel almaço e ocupa metade dela. Apresenta as indicações das dependências, Capella-Mor, Caza junto A Sanchristia, Côro, etc e tem a escala em palmos. Nada indica da parte antiga que teve se ser demolida (capela axial e colaterais), - o que pena é -, representando unicamente a obra reconstrutiva.
Esta planta de elegimento tem como complementar outra, respeitante à parte baixa da tribuna, com esta legenda: Planta Da loge Da trebuna e tambem mostra o Chôro e o Começo Da escada Da trebuna.
A planta da nova obra evidencia bem a amplidão da capela-mor, aumentada especialmente em profundidade, e o sacrifício quase total das capelas laterais reduzidas a espaços restritamente necessários para os altares.
A cabeceira da igreja de S. Domingos, dotada de capela axial e absidiolos, era de semelhanças arquitectónicas com a do templo dos franciscanos, sendo bem de lamentar a reforma radical de 1734, no gosto insulso da época, da qual nos ficou a planta, hoje trazida a lume, do arquitecto carmelita Fr. Pedro da Conceição.


Num outro desenho (ver abaixo) está delineada a elevação dos arcos da cabeceira. A altura das capelas laterais foi reduzida na reforma afectuada, pois que orçando os primitivos arcos ogivais por 40 palmos, ficaram tão somente, depois, com 27,5. As dimensões da largura foram também alteradas, passando de 20 palmos que cada capela, antes, tinha, para 14. Dá-nos o estudo do Sr. Dr. Cunha e Freitas para altura do arco cruzeiro, depois das obras de reforma, 55 palmos, porém o citado desenho, pela escala, indica 48; os arcos laterias nivelam pelas impostas do arco central, o qual se eleva sobre estas, com volta perfeita, 15 palmos. Ao mesmo tipo de volta obdeciam os arcos das capelas laterais. O estilo era o barroco, jesuitico, destituido de decoração pomposa.Esse desenho tem, lançada pela mão do autor, a seguinte legenda:Planta De Perfil que mostra o Arcuo Da Capella mor Da Igr.ª De S. Domingos Da Cidade Do Porto. E mostra tambem os 2 Dos Colaterais Com os seus Altares e Banquetas, feita oie 27 de 7.bro De 1733 A.s por Fr. Pedro Da Conceipção, Carmelita.


Sem comentários:

Enviar um comentário