sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Igreja Gótica de S. Domingos do Porto (2)

Segue-se a planta do corpo da igreja (ver abaixo), onde apenas se vê esta indicação lançada ao lado da escala: Petipé do Corpo da Igreja.

Mostra-nos os pilares divisórios das naves, de secção quadrada, com chanfros e colunas embebidas, em número de oito, formando quatro tramos por banda. O traçado indica-nos as sepulturas e o lageado do pavimento..

Registarei as indicações do Sr. Dr.Cunha e Freitas: "A igreja era de três naves que formam 4 arcos de cada parte de volta de ponto agudo sobre 4 pilares distante cada um do outro 26 palmos, sem base, lisos até aos capitéis, e media, fora o cruzeiro, 124 palmos de comprimento por 75 de largura". Estas medidas conferem com as que nos dão a planta, com pequena diferença quanto à largura, no desenho apresentada para menos.

"O pavimento, estava outrora coberto de sepulturas, quase todas com seus letreiros, e algumas com seus escudos de armas entre os quais haviam algumas de mármores finos, dispostas sem ordem alguma. Depois de 1734, ficaram só 116 - 66 na nave central e 50 em cada uma das laterais." A planta de Fr. Pedro indica fiadas de sepulturas, dispostas com regularidade geométrica, que cobrem inteiramente as naves, acusando número diferente.

Outro desenho, apresenta-nos o segmento inferior de um pilar da igreja. Viu-se anteriormente que, consoante a descrição do Sr. Dr. Cunha e Freitas, os pilares eram "sem base, lisos até aos capitéis". A forma condiz com a secção deles que no dá a planta do corpo da igreja, quadrados, com chanfros, e meia coluna em cada face; as medidas deles nos dois desenhos (planta e alçado) são concordes: 6 palmos de lado. Na reforma radical de 1734 houve desejo de os modificar nas bases, ao jeito clássico; para isso, o carmelita arquitecto delineou três projectos diferentes, um deles com sacrifício parcial de colunelos para lançamento de uma escada de púlpito; sob o projecto apresentado em primeiro lugar - o mais simples deles - anotou o arquitecto este he o melhor, e de menor preço. É de crer que tivesse sido o escolhido.

Dois dos desenhos do grupo representam alçados: um deles é o corte e parede fundeira da capela-mor, coberta de abóboda de berço, de tijolo, com 64 palmos de alto,sobre espessos muros onde se abrem duas tribunas iluminadas pelo exterior,rematando a empena por uma cruz, com pirâmides muito ornadas nos extremos, de concepção barroca; o outro mostra uma capela com o seu arco de meio ponto, elevando a 49 palmos, o entablamento flanqueado de pirâmides singelas terminadas por bolas tendo superiormente uma janelam ladeada de ornatos barrôcos em S; esta capela, pelo aspecto geral e dimensões, devia, possivelmente, pertencer ao cruzeiro.
Os restantes três desenhos são de menor interesse; um, em planta, com aguadas,diz respeito a um altar e respectiva tribuna, os outros, em alçado, ao côro e presbitérios.
Pena é não se encontrar neste grupo de desenhos a frontaria do templo, que na reforma de 1734 sofreu grande transformação.

2 comentários:

  1. Olá, bom dia. estou pesquisando as práticas antigas de sepultamentos nas igrejas e gostei do seu texto e das imagens disponibilizadas. Gostaria de usá-las e queria saber como devo referenciar a fonte. Agradeço desde já e aguardo. Atenciosamente, Ana Magalhães (acvmagalhaes@yahoo.com.br).

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    1. Boa tarde,

      A obra onde se encontram estas gravuras chama-se "Notas de Arqueologia Portuense", sendo um suplemento ao vol. III dos "Documentos e memórias para a história do Porto".

      A disposição das sepultaras que aqui se vê são do século XVIII. Esta igreja em particular, antes dessa reforma tinha as sepulturas da seguinte maneira segundo a descrição de um códice a ele pertencente:

      "Em algum tempo se achava o dito cruzeiro da igreja todo povoado de campas de sepulturas quasi todas com seus letreiros, e alguas com seus escudos de armas entre as quaes haviam alguas de marmores finos, mas com a mesma desordem que se achavam as do cruzeiro, uas grandes outras pequenas, uas altas outras baxas cujo defeito encobriram os taburnos, de solho [soalho] que ocupavam toda a igreja desde as grades que dividiam o cruzeiro da dita igreja té o 3º pilar, em forma que só da porta principal té o primeiro pilar não haviam taburnos tudo o mais era coberto deles, sinalados com seus numeros, havendo só ua devisão pelo meio té as grades referidas formando modo de caminho ficando-lhe aos lados tudo taburnos."

      Em 1730 reformaram todas estas sepulturas da igreja, colocando-as da mesma forma como ainda hoje se pode ver em bastantes igrejas, com divisões regulares.

      Espero ter ajudado. Desejo felicidades para o seu trabalho!

      Atenciosamente,
      Nuno Cruz

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