quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Antiga entrada da Rua do Bonjardim



Na fotografia acima vemos a desaparecida secção inicial da Rua do Bonjardim. Esta área é hoje em dia ocupada pelo início da Rua de Sá da Bandeira; que faz também ela cotovelo tal como a anterior, se bem que um pouco deslocada da área daquela a que sucedeu constituindo por isso uma remodelação total do lugar a todos os níveis: edificado e rua.

A propósito desta rua, foram na revista O Tripeiro de Abril de 1948 e na secção Comunicação dos Leitores, dados a conhecer pelos anciãos à época, do que estava por detrás da imagem que esse velho negativo em vidro fossilizou, ai pelos inícios do século XX.
Vejamos pois o que havia por detrás daquelas portas e janelas nesses tempos tão recuados:

1)
(...) Foi um dos pontos frequentados pela boémia de há trinta anos. Olhando para a fotografia, do lado esquerdo, vê-se o Café Madrid, a seguir o Restaurante Monteiro, depois a Relojoaria, o célebre Restaurante Adriano, com esplêndidos almoços a quatro ou cinco tostões, o lindo Café Lisbonense, com um esplêndido terceto, com concertos ao domingo, à uma hora da tarde, restaurante no primeiro andar, com entrada por um largo portão à direita do Café e ainda pela Rua de Santo António [hoje 31 de Janeiro). A seguir, havia ainda a Sapataria Mota, Barbearia Barradas, salvo erro, Ourivesaria Boneville, Quiosque Espírito Santo, etc. Olhando ainda a fotografia, há direita, havia o Café Portuense, o Café Liberal, o Restaurante Mesquita, Mercearia Maia, Farmácia, Barbearia Tinoco, uma Confeitaria, o velho Café Moreira e, na casa grande, que se vê ao fundo, havia umas alfaiatarias de fato feito, onde hoje [1948] está uma barbearia e um estabelecimento de óptica [isto é que não pode ser verdade porque o prédio já não existe!?]. Fazia esta rua, do lado de Santo António, um cotovelo que não deixava ver dali a Rua de Sá de Bandeira.
Comunicação de: Tripeiro Luis - Porto

2)
"(...)Os prédios que faziam parte da referida rua eram, na sua maioria ocupados por cafés, restaurantes e hotéis. Do lado direito haviam os cafés Portuense, Braga e Moreira, o Novo Hotel Portuense e o Hotel Real. Este era no local onde hoje [1948] está instalado o Peninsular Hotel.
Em tempos idos, já bastante recuados, à porta do Hotel Real faziam estação os almocreves, diligências e estafetas. As estafetas, nome porque eram conhecidos uns pesados e avantajados carroções cobertos de lona (...), faziam recovagem entre vários pontos da província e, de quando em vez, transportavam um ou outro passageiro que tivesse coragem e resistência para suportar tais jornadas. Estes carroções eram puxados por cavalos e traziam sempre, durante a viagem, atrelado na traseira do carro um cão de guarda com coleira de picos compridos e acerados, isto, já se vê, para o que desse e viesse...É que os tempos eram outros...
Do lado esquerdo, existiam os Restaurantes Monteiro e o Adriano, que teve a sua fama, e os Cafés Madrid e Lisbonense. Este Café foi um dos mais frequentados da época, não porque fosse luxuoso, como actualmente os há, mas por nele se realizarem, principalmente no inverno, excelentes e apreciadíssimos concertos de boa música, executados por artistas de real merecimento. (...)
A rua em referência, depois das modificações a que foi sujeita [na realidade foi construído um arruamento novo], foi integrada na Rua de Sá da Bandeira, e à parte da citada rua, entre as Ruas do Bonjardim e de D. Pedro [que já não existe nem existia à escrita destas linhas], foi dado o nome de Sampaio Bruno (...)
Existiu, no ângulo direito das ruas do Bonjardim e Sá da Bandeira uma fonte, que foi demolida, tendo-se construído no local uma marquise envidraçada, que ainda lá está.
E fico por aqui.
Comunicação de: Velho tripeiro - F.M.N.J. - Porto

1 comentário:

  1. É bom saber mais um pedaço da história da rua para onde vamos habitar, se tudo correr bem, daqui a alguns meses!

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