segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Barredo (segundo Pinho Leal)

É, segundo o autor, o bairro mais imundo do Porto. Está todo iluminado a gás, é bastante povoado e quase exclusivamente por Vareiras, Regateiras, Vendilhões e Carrejões.

Escreve ainda Pinho Leal:

“Não há muito que o autor destas linhas, com sol claro, e por mera curiosidade, atravessou este bairro, só para poder falar dele; e creiam os leitores que nunca vi no Porto, nem na capital, uma série de ruas(?), vielas, escadas e barracões, que se assemelhassem àquilo. Tudo transudando água e imundice, obrigando-me o fétido a acelerar o passo, e arrepiando-se-me o cabelo o imaginar-me metido em semelhante labirinto, em uma noite de inverno, mesmo no actual século, antes de montar-se a iluminação pública.
É este bairro um montão de lixo e um sorvedouro de vidas, quando pesa a mais leve epidemia sobre a cidade, e por todas estas considerações façamos votos por que a câmara abra sem demora as ruas em projecto.
Pinho Leal in Portugal Antigo e Moderno (1875), Vol. VI, verbete S. Nicolau

NOTA: as ruas de que fala Pinho Leal nunca foram abertas; dai resultando que, por mais de um século, ficou sendo o Barredo - juntamento com a Sé - os locais de pior fama do Porto. Esses mesmos, agora classificados património mundial.
O contrário aconteceu precisamente no outro lado desta freguesia, no Bairro dos Banhos, onde toda a podridão de casas e de almas desapareceu. Tudo levando, um furacão de demolições e aterros que em pouco mais de um ano destruiu o que séculos de vida da cidade levara a criar. O que poderia esse bairro ser hoje?...

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