sábado, 24 de outubro de 2009

"A Rua das Congostas, como a conheci"

«Esta rua, completamente modificada, ou por outra, que desapareceu, deu lugar à hoje rua do Mouzinho da Silveira, na parte que fica entre a rua do Infante D. Henrique e o cimo da rua de São João.
Era uma rua estreita,calçada à romana. Ao subir, do lado esquerdo havia uma fonte [ver foto] aonde estavam agrupados os canecos dos antigos aguadeiros (todos estes cidadãos da Galiza) que, com aquela vasilha ao ombro, resguardado por um pedaço de couro afim de não molharem o casaco ou a jaleca, no seu passo cadenciado, levavam a água às casas, subindo quatro ou cinco andares, mediante uma pequena quantia. (...).
Do mesmo lado existia o restaurante do conhecido e honrado José Villas, muito frequentado pela colónia Inglesa. Tinha um criado chamado Manoel, o verdadeiro tipo de criado antigo, muito dedicado ao seu patrão.
Na mesma rua se encontrava um importante estabelecimento de marcenaria da família Garrido (...)
Onde está a estátua do Infante D. Henrique era um monte; e paralelo à rua do mesmo nome (antigamente rua dos Ingleses) existiram casas entre Mouzinho da Silveira e Ferreira Borges. Onde está o quiosque havia um passo igual ao que está defronte da Igreja de S. Nicolau.
O Povo, em vez de dizer rua das Congostas, chamava-lhe rua das Cangostas

in O Tripeiro, 3ª Série, nº 132 (12), 15 de Junho 1926

Nota: o monte referido bem como o casario virado para a rua Infante D. Henrique foram desbastado e demolido na sequência da execução do plano de melhoramentos para a cidade (apresentada em 1881 pelo seu presidente e posteriormente publicada). O objetivo foi a criação de uma praça ajardinada que ocupou parte daquele terreno desaproveitado (tudo o que restava da antiga cerca dominicana).

Por curiosidade refira-se que nesse plano de melhoramentos constavam outras obras, como por exemplo o executado Mercado de Ferreira Borges e o não executado Mercado no local ocupado pelo convento das carmelitas.

Lago no largo dos Loios

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